A Diversidade de Valores

Se falássemos em termos religiosos, poderíamos dizer que o valor é um só: Deus. Mas Deus se manifesta em sua criação e nos atos de suas criaturas. Na filosofia também, como o fez Platão, seria possível dizer que o único valor é o bem (existente como idéia e em outro mundo). Mas o bem de Platão também se manifesta. E aqui está a colocação da diversidade dos valores. Há valores materiais, pessoais, sociais, morais, espirituais etc., os quais correspondem às várias necessidades do ser humano.

Ouro x dinheiro x madeira
Por exemplo: há valores materiais. Uma pedra é um valor ou poderá sê-lo. O ouro é valor. O alimento é valor e assim por diante. E aqui estamos no mundo econômico, que é importante, desde que deixado em seu devido lugar.

O dinheiro é um valor. Serve para comprar alimentos, vestuário. Mas quando se torna o único objetivo da vida então já se tornou um contravalor. O mesmo deve-se dizer quanto à forma de obtê-lo. Há formas honestas e desonestas. E há a ecologia.

Existem os valores pessoais. O ser humano é vida e esse é o fundamento dos outros valores como a liberdade, a responsabilidade, a consciência moral, a auto-estima saudável, a saúde, a integridade moral (você não pode ser difamado, sem motivos e o ideal é que a pessoa seja julgada antes por pessoas competentes para ver se é culpada ou não) e a integridade física. A pessoa não pode ser agredida, torturada ou ter seu corpo dilacerado, a não ser em caso de necessidade (medicina). Mas seu corpo é só seu e você faz dele o que quiser? Ingere drogas, aborta, etc? Mas a vida que está dentro de você é seu corpo ou outro corpo? Mais: você pode, por dinheiro, vender seu corpo, expô-lo em revistas e outros meios de comunicação?

Mas é bom salientar ainda, no campo dos valores pessoais, que toda pessoa humana tem direito à alimentação, habitação, saúde, informação, e gostaria de salientar, direito à felicidade, embora não à custa dos outros ou da destruição de si mesma.

Há os valores sociais. O respeito ao semelhante, a convivência fraterna, a vivência da justiça, o respeito à liberdade, a sociabilidade, a boa educação, o espírito de solidariedade (sobretudo em casos de calamidade pública, etc.).

Os valores éticos são aqueles que se referem ao bem, à boa conduta, ao bom caráter. São importantes para a vida pessoal (é sinal de que a pessoa se dá valor) e, para a vida social: uma pessoa impregnada de valores éticos é social, honesta, sincera, veraz e assim por diante.

Valores espirituais são aqueles que se referem ao espírito, à inteligência, ao conhecimento, à ciência, à produção tecnológica. Referem-se aos produtos do espírito humano e suas qualidades. É bom cultivar a inteligência, os dotes artísticos. Não é preciso ser um grande cientista ou um grande artista. Trata-se apenas de saber apreciar coisas belas. E um beijo de namorados é, por exemplo, uma coisa bela. Um casal enamorado pode ser chato para os outros, mas para o mundo dos valores é uma beleza.

Os valores religiosos são aqueles que manifestam as relações do ser humano com Deus e vice-versa. São valores importantes, talvez os mais importantes. Mas claro que não podem levar ao fanatismo, à exploração econômica e à lavagem cerebral. Nem poderia acontecer o seguinte: o marido ou a mulher só se dedica à religião e descuida do trabalho e da economia doméstica em sentido material.

Mas quando a religião é vendida como mercadoria, que valor podemos dar a ela?

Os valores afetivos, de modo geral, não são lembrados. Mas o ser humano não vive sem afeto. Nem, sem este, existe de modo gratificante. O ser humano é um ser carente, mais necessitado do que todos os outros animais. E o afeto é uma de suas necessidades maiores. Sem afeto, o ser humano morre literalmente ou espiritualmente, ou se suicida de fato ou vive no vazio.

Donde o valor da amizade, do amor entre as pessoas. E isso é tão evidente que os seres humanos se casam, apesar de que muitíssimas pessoas não querem saber de casamento. É que não querem saber do casamento que tiveram ou que viram (como filhos ou amigos de outros casais). Mas a psicologia pode confirmar a filosofia: o ser humano procura o amor e que esse seja contínuo (o que é bom) ou até que dure, segundo Vinícius de Moraes. Porém, de fato, enquanto dura (parece contradição, mas não é) o amor é eterno. O problema é que nossa eternidade afetiva é pobre. Como é nossa formação afetiva? Competitividade, autoritarismo, violência, guerras e mais o diabo. Que diabo de estabilidade emocional podemos ter ainda?


Olírio Plínio Colombo. Doutor em Deontologia.

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